Vale diz que governo do Pará causou “caos” em Ourilândia do Norte ao suspender licença de operação da empresa

Vale diz que governo do Pará causou “caos” em Ourilândia do Norte ao suspender licença de operação da empresa

Em meio a uma briga judicial com o governo do Pará em torno da paralisação da mina de níquel Onça Puma, no estado, a Vale reforçou as tintas de suas alegações para que o empreendimento volte a funcionar.

Ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, a mineradora afirmou que a decisão do governo Helder Barbalho de suspender a licença de operação, mantida pelo Tribunal de Justiça do Pará, criou o “caos” na região do município de Ourilândia do Norte.

A Vale citou a Barroso manifestações de sindicatos de trabalhadores da região com preocupações sobre a paralisação da mina, apontada na ação como fundamental à economia local. “Caos social de uma tragédia anunciada”, disse um dos sindicatos, o Metabase Carajás. A mesma entidade afirmou que a suspensão causa “pânico para centenas de trabalhadores”.

Como mostrou a coluna de Guilherme Amado, do Metrópoles, a Vale afirmou ao Supremo que a suspensão da exploração coloca em risco 2 mil empregos diretos, gera prejuízo diário estimado de R$ 16,6 milhões, causa “exposição econômica” da empresa e leva à interrupção de pagamentos da Vale no âmbito de acordos com duas etnias indígenas locais, Xikrin e Kayapó.

Além da mineradora, o município de Ourilândia do Norte também recorreu ao STF pela reativação da licença de exploração da mina de Onça Puma.

Ao Supremo, tanto o governo do Pará quanto a Procuradoria-Geral da República pediram a rejeição da ação da Vale.

Em parecer apresentado a Barroso em (3) de maio, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que o pedido não seja sequer “conhecido” – isto é, não seja considerado e analisado em seu mérito.

Gonet alegou que a Vale não tem legitimidade processual para pedir ao STF a derrubada da decisão do desembargador Mairton Marques Carneiro, do TJ-PA, de revogar, a pedido do governo estadual, uma ordem da Justiça de primeira instância que havia reativado a licença para exploração da mina.

O chefe da PGR pontuou que a mineradora não é concessionária de um serviço público, condição em que, pelos precedentes do STF, poderia apresentar o pedido.

(Informações de Guilherme Amado/Metropoles)