O líder religioso Paulo Paumgartten, conhecido como João de Deus do Pará, foi preso nesta quarta-feira (6) na segunda fase da Operação 7ª Frequência da Polícia Civil do Pará. A prisão foi em Castanhal, no nordeste do estado.
João de Deus é acusado pela polícia de abusar sexualmente de, ao menos, onze mulheres em Belém, incluindo uma adolescente. Ele liderava uma seita chamada de ‘Missão do Espírito Santo’ e se aproveitava das vítimas em vulnerabilidade psicológica que buscavam tratamento espiritual.
Após a prisão desta quarta-feira, ele foi encaminhado para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Belém.
“Ele era líder de uma seita religiosa, onde atraia pessoas. Ele se aproveitava da vulnerabilidade e da confiança nele, mulheres que acreditavam numa cura, emocionalmente muito abaladas. Ele se aproveitava disso, elas tinham que fazer determinadas coisas pra chegarem em uma cura. Caso muito semelhante ao João de Deus. Ele dava banhos de cura e nesses banhos ocorriam os abusos”, detalha a delegada Ana Paula Chaves, titular da Deam Belém.
Paulo já tinha sido preso em março de 2022, mas estava em liberdade e sendo monitorado, segundo a delegada Ana Chaves, que não detalhou há quanto tempo ele estava solto.
Após a primeira prisão, mais de 10 mulheres procuraram a polícia relatando que foram vítimas dos abusos. Com as investigações, ele teve nove mandados de prisão preventiva decretados e cumpridos nesta quarta-feira.
Cinco mulheres que seriam companheiras dele também são investigadas e foram alvo de medidas cautelares, não detalhadas pela polícia. Elas são suspeitas de conivênvia ou auxílio nas práticas sexuais.
Entenda o caso
Em 2022, o religioso foi preso em flagrante no sítio dele em Marudá, distrito de Marapanim, interior do estado, durante a operação “Sétima Frequência”, após investigação iniciadas em 2020.
Antes da operação, Paulo já havia sido indicado por estupro de vulnerável em 2013, mas o caso foi arquivado. Desde então, a Polícia só recebeu denúncias contra ele em 2020 e 2021, quando quatro mulheres denunciaram a seita. Após a prisão, novas vítimas procuraram a polícia.
Para a Polícia, as vítimas viviam sob ameaças, além de serem vulneráveis psicológica e financeiramente. Além dos estupros, em 2022 ele também foi acusado pela polícia de crime de distribuição de pornografia infantil.
A polícia acredita que dezenas de mulheres tenham sido vítimas por pelo menos 14 anos, período em que o advogado atuava se intitulando médium. Ele também já foi procurador do município de Pacajá.
De acordo com a Polícia, Paulo cometia os crimes sexuais durante rituais. “A dinâmica dessa seita envolvia estudos bíblicos, ao final, cada pessoa se consultava com ele individualmente”, detalhou a delegada Mikaella Ferreira em 2022.
“Era nas consultas que ele realizava os ditos banhos de purificação, limpeza e cura, onde abusava de várias mulheres, inclusive praticando crime de violência sexual mediante fraude”.
( Fonte: g1 Pará )